MAMANAS
Isabel Grossenbacher é uma artista ceramista moçambicana-suíça cuja prática escultórica explora temas de memória, identidade e transmissão intergeracional.
Na língua local changana, falada no sul de Moçambique, mamanas significa mulher, mãe. Mais do que uma designação, a palavra abriga a ideia de cuidado, transmissão e continuidade.
Nesta instalação, Isabel Grossenbacher evoca as mulheres como guardiãs de memórias, saberes e experiências de vida. Cada forma escultórica surge como um corpo-memória, carregando histórias individuais e coletivas que atravessam gerações.
Dispostas em círculo, as Mamanas remetem para espaços ancestrais de encontro e partilha, onde o chá, os gestos quotidianos e a oralidade se tornam veículos de transmissão entre gerações. O círculo configura-se como lugar de escuta, cuidado e pertença, onde o conhecimento é partilhado e a memória coletiva continuamente renovada.
As esculturas, construídas manualmente em cerâmica, estabelecem um diálogo entre presença e ausência, fragilidade e permanência. O barro, material ancestral por excelência, torna-se metáfora da condição humana: moldável, vulnerável e, simultaneamente, capaz de preservar vestígios do tempo.
As Mamanas convidam o visitante a refletir sobre herança, legado e sobre os fios invisíveis que ligam passado, presente e futuro. Perante a finitude, a instalação propõe ainda um gesto de continuidade: o espectador é convidado a integrar simbolicamente este círculo, ocupando um lugar na cadeia de transmissão para que ela não cesse. Tal como as gerações que observam, testemunham e sucedem às anteriores, o círculo permanece aberto, renovando-se continuamente e afirmando a ancestralidade não como fim, mas como permanência.
